Doode Usa Software Proprietário

Não Caia Nesta Rede!

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Saiba Como o Doode Enganou o Software Livre

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Saiba como Vitor Micillo Jr., com a criação da Doode – Rede Linux de Amigos, usou de uma farsa para enganar comunidades e blogs de software livre e formadores de opinião ligados ao Linux e software livre, mentindo que empregou 100% software livre para obter divulgação para sua rede, numa busca inconsequente de sucesso em sua implantação.

O Sujeito

Vitor Micillo Jr., (VMJ daqui em diante) é o dono do domínio Doode.com.br (dados do domínio), e diz ter desenvolvido o software deste site usando outros software pré-existentes, que alega serem “100% software livre.

A Rede

A Rede Doode é hospedada pela revenda “Linux Hosting”, de propriedade também de VMJ (dados da empresa), que revende hospedagem, e outros serviços.

Rede Linux

Redes sociais podem ser de uso geral (Orkut, Facebook), ou voltadas a segmentos (LinkedIn = profissionais, SoftwareLivre.org = Software Livre, MySpace = música). A Rede Doode, usa o título “Doode, Rede Linux de Amigos”, e o Linux é o elemento comum agregador da comunidade. O Linux, elemento agregador desta rede, representa no ambiente de software livre o seu expoente máximo e significa, em sentido mais comum no ambiente de software livre, o conjunto de software formado por kernel, sistema operacional e aplicativos GNU/Linux. Software livre é um movimento e dentro do contexto desta discussão, refere-se tanto a uma modalidade de licenciamento de software (GPL), e do movimento criado em torno dos princípiosque fundamentam este licenciamento e repercussões nos campos social, político e cultural.

A Divulgação

Dentre as iniciativas de divulgação da Rede Doode, VMJ obteve espaço de divulgação em importantes fontes formadoras de opinião no meio do software livre:

  • Post de divulgação de autoria de VMJ:
    • Dicas-L: dedicado a divulgação de dicas, opiniões e computação, com ênfase em software livre e open source. VMJ submeteu e teve publicado evento Doode – A Sua Nova Rede Linux de Amigos. na seção Agenda Livre.
    • Viva o Linux: site dedicado a dicas com ênfase em software livre e Linux: VMJ submeteu e teve publicado na seção Dicas/Linux/Internet o anúncio.
    • BR-Linux: site dedicado à divulgação de software livre e Open Source. VMJ submeteu e teve publicado na seção Comunidade o anúncio de mesmo título.
      • SoftwareLivre.org: referência ao anúncio do BR-Linux, no blog de Furusho, Professor, Analista, Software Livre, LibreOffice, ODF, Ubuntu, Tecnologia, Política, Coxa, SUD, ODF Alliance Award, Membro da TDF e ABNT.
  • Entrevista à Revista Espírito Livre:
    • Revista Espírito Livre: publicação voltada à comunidade de software livre, que em sua 28ª edição de Julho de 2011, publicou a entrevista com VMJ intitulada “Vitor Micillo Jr. Criador da Rede Social Doode“, com divulgação em diversos sites e blogs formadores de opinião que dão divulgação a esta publicação. Veja o PDF da edição nª 28.

Isto foi possível devido ao conteúdo das afirmações de VMJ, quanto à natureza do software que constituía a Rede Doode, segundo suas palavras “100% software livre”, e sistematicamente omitindo quais softwares utilizou, fazendo menções não específicas, exceto algumas bibliotecas e linguagens sabidamente livres. e vários “scripts” sem menção de nomes. Nas páginas da Rede Doode, não havia quaisquer indicações de outras marcas de autoria, fora as da própria Rede Doode. Assim, a criação de uma rede social e microblogging “100% software livre” virou notícia.

A Farsa

Analisando as afirmações feitas por VMJ para divulgar a Rede Doode na comunidade de software livre, conforme indicado acima, VMJ mountou uma farsa, escolhendo cuidadosamente suas palavras para tentar ao máximo ocultar o software que utilizou para implementar a rede e dar a entender que criou algo novo, através de “muito esforço”, com “partes” de software 100% livre, que integradas com seu “grande esforço”, teria produzido o software da Rede Doode. Em seu post que submeteu e foi aceito no Dicas-L, Viva o Linux e BR-Linux, VMJ declara (meus grifos):

Mais de 1 ano se passou e muitas dificuldades eu encontrei na idealização do projeto, ate que no dia 03 de julho de 2011 por volta das 03 da manha eu coloquei o doode no ar, como um filho que me deixou varias noites sem dormir, vários finais de semana internado na frente do computador para resolver problemas de programação e integração de vários scripts em PHP.

Isto foi escrito por VMJ para induzir à idéia de que usou scripts PHP, ou seja, tenta dizer que não usou um produto pronto, acabado, e isto teria lhe custado “muito trabalho”: “…varias noites sem dormir, vários finais de semana internado na frente do computador …” tentado alegar que criou algo novo, resultado da suposta integração de scripts isolados, e que, integrados produziriam algo que não existia antes, uma vez que teve “tanto esforço” para sua “criação”. Veja o que disse VMJ sobre de que é feita a Rede Doode (meus grifos):

A rede é feita 100% com software livre que engloba: PHP, MySql, Python, Inkscape e Gimp

Mas nenhuma referência a outro software de rede social ou microblogging pronto, que tenha sido desenvolvido previamente. Em entrevista à Revista Espírito Livre na sua edição nº28, onde é perguntado explicitamente sobre que software e ferramentas usou para “criar” a Rede Doode, VMJ responde de modo evasivo e omisso (meus grifos):

REL: Quais as ferramentas (softwares) utilizadas na criação da rede? Vocês se baseou em algum software específico para montar a rede ou começaram tudo do zero?
R: O Doode é feito 100% com softwares livres, onde todo o seu sistema de criptografia e segurança é feito em Python, as páginas e navegação em php/xhtml, Ajax e Jquery para as animações, base de dados em MySql Server Community e a parte gráfica com Inkscape e Gimp. Não desenvolvi o sistema do zero, não tenho vergonha de dizer isso. O próprio Linux é derivado do Unix, aliás um antigo processor meu da época da Universidade sempre dizia “pra que ficar querendo reinventar a roda meu povo”, mas de qualquer maneira não foi fácil, foram vários meses tentando encaixar uma peça na outra, testando e retestando, pedindo para amigos realizarem testes. A principal engine do Doode é baseada em APIs do Twitter e do Facebook que são livres e basicamente o bom e velho “insert into” do sql, entretanto existe todo um trabalho em que foi implementado Ajax e Jquery para apresentar animações depois das inserções no banco de dados, todas as APIs que peguei de outras redes estavam no idioma inglês, tive que tradizí-las manualmente para adequá-las a estrutura que montei, principalmente as APIs que realizam os convites para os membros de outras redes, e isso deu trabalho. Quanto ao layout, eu sempre procurei utilizar alguma coisa muito simples e limpa, porque odeio aquele layout poluído do Orkut e do Facebook, então me baseei no “the facebook” original só que com mais melhorias (para os cadastrados no facebook no inicio sabe do que estou falando). O sistema de visualização tem tablets e smartphones eu desenvolvi do zero, e ainda tem muita coisa para ser feita.

Mesmo quando solicitado para dizer explicitamente que software utilizou, ele afirma apenas que usou linguagens de programação, bibliotecas e scripts (que quer dizer “programa interpretado, não compilado”, como o PHP). Ainda afirma que as funcionalidade de visualização “mobile” ele “desenvolveu do zero”, e o estilo, enfim, foi uma tarefa muito complexa e trabalhosa, novamente tentando reforçar a imagem de “construção”, “criação”.

A Resposta de Vitor Micillo Jr.

Após os muitos questionamentos feitos por mim e outros membros da comunidade de software livre, VMJ fez um comentário ao meu post “Doode Usa Software Proprietário“, e para que eu o publicasse, ele aceitou postar sua confirmação de resposta por VMJ em um servidor de listas discussões Yahoo! através de email oriundo de seu login GMail, para todos terem a transparência sobre a autenticidade de suas colocações. Entretanto, apesar de sua disposição para dialogar, novamente repete as omissões, e o uso de palavras que evitem explicitar qual software realmente utilizou em sua Rede Doode. Agora ele usa o nome “Doode” para referir-se ao software da Rede Doode, arrogando-se direitos autorais sobre o mesmo, e quando refere-se ao software que teria utilizado, também o refere como “Doode” e pronomes que remetem a este nome. Alguns trechos (meus grifos):

Eu nunca disse que desenvolvi o doode do zero, e sempre citei a fonte dele para todos que tem interesse. Eu não preciso mentir sobre o que eu fiz e deixei de fazer no doode, eu realmente modifiquei todo o sistema de autenticação do mesmo e coloquei algumas coisas a+ no sistema.. E para isso levei mais de 1 ano e 6 meses fazendo testes e testes.

Destaco os seguintes trechos:

  • …Sempre citei a fonte…” NUNCA citou, e este blog e a Revista Espírito Livre também tiveram interesse, mas VMJ só omitiu e usou palavras genéricas para se referir ao software original que usou na Rede Doode.
  • …por que você só vem atacar o doode, se a própria linux social utiliza o mesmo sistema que o doode.???” Isto é um progresso! Agora começa a transparecer o que pode ser o software original usado na Rede Doode. VMJ admite que a Rede Doode usa o mesmo “sistema” que a Rede Linux Social (refere-se a LinuxSocial.com). Se VMJ “criou” o software da Rede Doode tendo de juntar múltiplas soluções de bibliotecas, scripts, linguagens, com mais de “um ano e seis meses“, de trabalho, passou “várias noites sem dormir“, porque as duas redes que tem a mesma funcionalidade, estrutura, interface? Teria a Rede Linux Social “abduzido” o software “tão arduamente” “desenvolvido” e escondido (onde está o fonte?) por VMJ, ou VMJ teria ido à mesma fonte da Rede Linux Social, e pegado o mesmo software? Importante: a Rede Linux Social foi lançada antes (maio de 2011), ao menos no que consta na data do anúnciono BR-Linux.
    Aqui VMJ me questiona sobre a Rede Social Linux, e por que razão não “ataco” a mesma, se usam o mesmo software. É muito fácil responder:
    Das redes que, apesar de serem voltadas ao software livre, INCONSISTENTEMENTE usam software proprietárioAPENAS A REDE DOODE AFIRMA QUE É FEITA 100% EM SOFTWARE LIVRE, tentando ENGANAR A COMUNIDADE DE SOFTWARE LIVRE!

Desmascarado: Rede Linux Doode Usa Software Proprietário Sharetronix

Após tentar discutir na própria Rede Doode, e receber uma mensagem de um membro que deu a dica, isto antes de ter minha conta e posts removidos da Rede Doode por VMJ, esta dica também foi mencionada em comentários aos posts de divulgação: trata-se do software Sharetronix, cujo código fonte PHP é disponibilizado no site Sharetronix.com e inclusive é possível participar gratuitamente da comunidade daquele software e provar como trata-se de um software PRONTO E COMPLETAMENTE FUNCIONAL de rede social e microblogging inclusive:

  • Versão para dispositivos móveis (tablets e celular)
  • Integração pronta para Twitter e Facebook
  • Convites
  • API compatível com Twitter
  • Ver mais funcionalidades do Sharetronix

Compare as telas das 2 comunidades:

Screenshot Rede Sharetronix.com

Screenshot Rede Sharetronix.com

Screenshot Rede Doode para Revista Espírito Livre

Screenshot Rede Doode para Revista Espírito Livre

É possível ver que VMJ teve “um trabalho IMENSO” “criando” o estilo da Rede Doode. (sarcasmo++).

Ah! É claro que deve ter tido MUITO TRABALHO REMOVENDO a marca “Powered by Blogtronix”!

Teste você próprio a Rede Sharetronix: Comunidade Sharetronix.com.

Sharetronix Não é Software Livre Nem Open Source

O Sharetronix possui duplo licenciamento: “Comercial License” e “Personal License“, sendo que a licença Personal está restrita a uso “pessoal” ou  projetos de desenvolvimento de software (open source ou não). Nem organizações sem fins lucrativos podem utilizar a licença Personal. No momento de fazer o download, deve ser especificada a finalidade de uso so Sharetronix para determinar se trata-se de licenciamento Personal ou Commercial. Existe uma página comparando, os diferentes licenciamentos.

Em ambos licenciamentos o código fonte está sempre disponível, mas isto não o qualifica nem como “software livre” nem como “Open Source” (ver adiante).

O Que É Software Livre

O termo “software livre” é a tradução em português para o termo original “free software”(inglês). Como já foi esclarecido aqui, software livre é um movimento e dentro do contexto desta discussão, refere-se tanto a uma modalidade de licenciamento de software (principalmente através da Licença GPL), e do movimento criado em torno dos princípios que fundamentam este licenciamento e repercussões nos campos social, político e cultural.

Para que um software seja considerado “software livre”, deve ter seu licenciamento compatível com as 4 liberdades definidas no Projeto GNU. A licença GPL é a referência modelo de licenciamento de software livre, e foi criada pelo Projeto GNU.

Eis os 4 princípios (4 liberdades):

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0)
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2).
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Porque o Sharetronix Não É Software Livre

  • O Sharetronix na sua versão “Personal“, cujo uso dispensa pagamento de licença, é vedado o uso comercial, ou até de organizações sem fins lucrativos (ONGs), e também permite apenas o uso do software em 1 único domínio, o que contraria a primeira liberdade. (meus grifos):
    “Licensee shall not engage in any form of e-commerce using Blogtronix derivative products covered by this Personal License.”
    “,,, to access, download, install, use, integrate and display the Software on one (1) Internet domain that has been registered with the Licensor. Licensee agrees to provide a current web address/ URL…”
  • O Sharetronix veda a redistribuição do software (alterado ou intacto), contrariando a terceira e a quarta liberdades. (meus grifos):
    “…Licensee shall not have the right to copy, sell, lease, relicense, transfer, assign or make available the Software…”
    “The product, after enhancements, additions, subtractions or any other changes to the source code, is defined as a Blogtronix derivative product, an adaptation, and may not be re-sold or sublicensed.”

O Que É Open Source?

Existe outra vertente derivada do movimento do software livre, que é o movimento do software “Open Source“. Para referir-se a software dentro de qualquer dos 2 contextos (software livre ou open source), chama-se Free and Open Source Software ou FOSS.

Apesar da tradução do termo Open Source significar “Fonte Aberto“, disponibilizar o código fonte não é o único requisito para um software ser considerado open souce.

O termo Open Source é definido e representado pela Open Source Initiative (OSI). Apesar do nome (“fonte aberto”), um software Open Source deve ter um licenciamento que atenda a 10 princípios, dentre eles:

  • 1. Free Redistribution: não restringir a venda ou doação do software.
  • 3. Derived Works: permitir a modificação e derivação, inclusive sua redistribuição.
  • 6. No Discrimination Against Fields of Endeavor: poder usar o software para qualquer tipo de atividade, comercial ou não.

Porque o Sharetronix Não É Open Source:

O Sharetronix afirma que é um software open source, mas somente no sentido da disponibilização de código fonte, entretanto Sharetronix não é open source, uma vez que:

  • O Sharetronix não permite a livre redistribuição, contrariando os itens 1 e 3 da definição da OSI.
  • O Sharetronix não permite o uso comercial ou por empresas ainda que sejam sem fins lucrativos, contrariando o item 6 da OSI.

Vitor Micillo Jr. Com a Rede Doode Enganou o Software Livre

Estes foram os fatos da farsa criada por Vitor Micillo Jr., que mentiu que desenvolveu um sistema de rede social e microbloggin com software 100% livre, ocultando as marcas originais, omitindo explicitamente sua origem, para obter divulgação em comunidades e blogs de software livre, somente para atrair mais usuários para sua rede.

A mentira sobre um software proprietário ser livre é o centro desta denúncia e a ocultação deste software para obter divulgação que NUNCA RECEBERIA se ficasse transparente que não usou software livre.

VMJ tenta dizer que trata-se de uma “guerra” entre duas redes, para desviar do centro da questão:

Estas práticas desprovidas de ética abalaram a imagem do software livre, suas cominudades e líderes formadores de opinião.

Breve veja neste blog uma análise das consequências e implicações no software livre, decorrentes desta despresível farsa, bem como as ações que podem ser tomadas para resgatar a imagem do software livre e suas comunidades.

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O Evangelista Precavido.

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